Uma das maiores falácias que eu já ouvi (ou li) é a de que dramas históricos não têm personagens femininas fortes. Eu entendo o equívoco por serem mulheres inseridas em monarquias superpatriarcais, onde não tinham direitos a quase nada no período medieval coreano e estavam totalmente sujeitas às decisões dos homens. Mas você já parou para pensar que a mulher que se destaca nessas eras é ainda mais incrível? Porque era quase impossível mulheres terem espaço e voz ativa.

O KOCOWA já tem uma ótima seleção de dramas épicos legendados em português e muitos deles com mulheres nos holofotes. E não só pela força física — são personagens que puderam mandar em suas vidas e mudar a história.

Suzy, em “Kangchi, the Beginning” (“Gu Family Book”)

Suzy é uma das minhas atrizes favoritas quando se trata de interpretar mulheres fortes, já que ela fez isso muitas vezes de maneiras diferentes, interpretando personagens únicas a cada novo drama. Em “Kangchi, the Beginning”, ela é uma espadachim mestre em artes marciais que luta ao lado do mestiço Kangchi (Lee Seung Gi) e se apaixona por ele. Contudo, o que mais me encanta em Dam Yeo Wool não é só seu lado guerreira que chuta bundas, mas a inabalável determinação que ela tem para viver por suas próprias convicções. Esse drama de fantasia ainda tem outra personagem forte importante e surpreendente na trama, fique atento.

<strong>Bae Suzy e Lee Seung Gi no drama de 2013<strong>

Ha Ji Won, em “Empress Ki”

A versátil Ha Ji Won é uma atriz que já fez diversos papéis como “mulher bonita que bate em homem” e Nyang (imperatriz Ki) é uma das mais memoráveis. De sua carreira e da dramaturgia sul-coreana. Sucesso de audiência em 2013 e 2014, “Empress Ki” já começa com uma morte e uma fala determinante: esse mundo é cruel para as mulheres. A história se passa em uma Coreia de mil anos atrás, quando ainda era a Dinastia Goryeo, e é um Épico com E maiúsculo. É a saga impressionante de uma mulher que quase foi vendida como escrava junto da mãe, não encontrava seu pai e decidiu crescer como serva de seu algoz.

Fingindo ser homem para sobreviver, Nyang se tornou Chacal, um homem forte e temido que lidera bandidos pobres desamparados (o corpo forte da Ha Ji Won ajuda a convencer nessa parte). Com uma narrativa de tirar o fôlego e um visual deslumbrante, Nyang enfrenta constantemente uma realidade cruel e se apaixona, enquanto faz história se tornando a imperatriz de toda uma dinastia.


Kim Yoo Jung, em “Love in the Moonlight”

Como uma típica heroína gender bender, Hong Ra On precisou se passar por homem para sobreviver (e por causa de um segredo de família). A moça tem muita lábia e consegue se virar bem graças a isso. Ela ganha a vida ajudando homens com o que mais entende — mulheres! Afinal, eles não sabem, mas ela é uma. Isso vai causar muitas confusões, claro. Ra On é perseguida por agiotas a quem ela deve dinheiro, o que a levará a um novo desafio: trabalhar como eunuco da família real. Poderia ter saído “forçado” Kim Yoo Jung neste papel, mas a atriz dá a dose certa de “masculinidade” no jeito de moleque da personagem, que imediatamente nos conquista pelo carisma e determinação. Destaque para a ótima química com o belo elenco masculino e com seu par romântico, interpretado por Park Bo Gum.


Han Ye Ri, “The Nokdu Flower”

Nem só de atributos físicos vive uma mulher forte. A delicada Song Ja In não é a heroína que entra de corpo na briga e nem se importa com os oprimidos. Ja In não começa como uma moça pura ou bem intencionada no revolucionário drama “The Nokdu Flower”. Ela é a privilegiada filha de um comerciário durante um período histórico coreano cheio de pobreza para o povo e corrupção na política, o que culmina em uma revolução da população contra os governantes.

Como todos os personagens desse épico em que não há mocinhos ou vilões bem definidos, Han Ye Ri interpreta uma comerciante de classe abastada que se vê em meio a um grande confronto e começa a repensar seu lugar e ideais. “The Nokdu Flower” é um ótimo exemplo de como os roteiros de k-dramas históricos são excelentes em desenvolvimentos e evoluções surpreendentes de personagens.

Eu poderia falar de mais mulheres incríveis de dramas históricos, porque há muitas, mas esse texto ficaria longo demais. Espero que essa pequena lista já te ajude a mudar um pouco os preconceitos com sageuk (se você ainda os tiver). E se você já é um fã do gênero, me conta, qual é a sua heroína épica favorita?

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